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O avesso da pele – Jeferson Tenório

O vencedor do prêmio Jabuti na categoria “Romance Literário”. O avesso da
pele é a história de Pedro, que após a morte do pai, assassinado numa desastrosa
abordagem policial, sai em busca de resgatar o passado da família e refazer os caminhos
paternos.

“O avesso da pele” é o terceiro livro de Jeferson Tenório, lançado em 2020 pela
Companhia das Letras. Nessa história, vamos acompanhar um filho revisitando
memórias do pai enquanto lida com o luto e sua ausência.

Esse livro é tudo o que cabe no espaço de uma vida contada sem obediência pela
cronologia. São afetos, medos e traumas que tocam questões prementes como o
racismo, a violência policial, o abandono, as péssimas condições de ensino dos
professores de muitas das escolas públicas brasileiras.

Me emocionei em vários momentos, mas acho que cabe destacar as passagens
que tratam justamente da literatura (e do ensino de um modo geral) como instrumento
de transformação política e social e como alternativa de se preservar o avesso: “Até o
fim você acreditou que os livros poderiam fazer algo pelas pessoas”.
Pela sutileza, pela clareza e pela necessidade que ainda temos de debater e
combater o passado escravocrata do Brasil, o livro de Tenório é mais que recomendável,
é essencial.

Um livro imenso de 189 páginas (e que vale cada uma).

“É necessário preservar o avesso. Preservar aquilo que ninguém vê. Porque não
demora muito e a cor da pele atravessa nosso corpo e determina nosso modo de estar
no mundo. E por mais que sua vida seja medida pela cor, por mais que suas atitudes e
modos de viver estejam sob esse domínio, você, de alguma forma, tem de preservar algo
que não se encaixa nisso, entende? Pois entre músculos, órgãos e veias existe um lugar
só seu, isolado e único. E é nesse lugar que estão os afetos. E são esses afetos que nos
mantêm vivos”.

Colunista

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Hannah Riff

Graduada em direito. Advogada licenciada OAB/PE. Assessora de membro do Ministério Público de Pernambuco. Graduanda em Psicologia pela Faculdade Pernambucana de Saúde. Estagiária do IMIP. Leitora por paixão. Parte dessa foz, o rio da leitura, corre em mim desde cedo. Leio porque entendi que as palavras também nascem da coragem de sentir. Esse lugar assustador e mágico de estar vulnerável e por isso, deliciosamente humano. Ler, para mim, é estender uma ponte até o peito. Fazer do papel um espelho. O percurso é entregar-se a cada página, a um sentir, a algo sentido. Espero nessa jornada poder dividir um pedaço desse amor e dessa entrega com vocês também.

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