Clube do livro

O filho de mil homens

Esta é a história de Crisóstomo, um pescador solitário que, chegando aos quarenta anos, lida com a tristeza de não ter tido um filho. Por outro lado, temos Camilo, um garoto órfão. Aos poucos, o livro constrói uma teia entre personagens ímpares, todos eles enjeitados, de alguma forma, e que acabam entrelaçados numa espécie de família.

 

As histórias do Crisóstomo e do Camilo, da Isaura, do Antonino e da Matilde mostram que para se ser feliz é preciso aceitar ser o que se pode, nunca deixando contudo de acreditar que é possível estar e ser sempre melhor. De início, os contos não parecem entrelaçados entre si, mas formam, ao final, um lindo quebra-cabeças.

Tocando em temas tão basilares à vida humana como o amor, a paternidade e a família, O filho de mil homens exibe, como sempre, a apurada sensibilidade e o esplendor criativo de Valter Hugo Mãe.

 

A solidão, o cuidado mútuo, o amparar o outro, a solidariedade, o preconceito e o ser diferente, ser marginalizado, ser “fora do normal” (mas o que é ser normal?) são temas tratados de forma muito característica pelo autor.

 

Apesar de cada história ser absolutamente singular e das imperfeições de cada personagem, conseguimos encontrar algo de tão universal, como o sentimento de pertencimento, a vontade intrínseca de criar ou até inventar-se uma família e a procura pela esperança e felicidade. Essa obra é a única em sua sensibilidade e na forma como aborda o afeto e as relações humanas.

 

Valter Hugo Mãe consegue construir um livro inteiramente poético, carregado de frases impactantes sem a necessidade de rebuscamentos, o que contribui para a leitura fluir.

 

É impossível sair dessa leitura sem alguma modificação, no olhar, sentir ou pensar o mundo.

 

Somos o resultado de tanta gente, de tanta história, tão grandes sonhos que vão passando de pessoa a pessoa, que nunca estaremos sós. (p. 257)

Colunista

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Hannah Riff
Graduada em direito. Advogada licenciada OAB/PE. Assessora de membro do Ministério Público de Pernambuco. Graduanda em Psicologia pela Faculdade Pernambucana de Saúde. Estagiária do IMIP. Leitora por paixão. Parte dessa foz, o rio da leitura, corre em mim desde cedo. Leio porque entendi que as palavras também nascem da coragem de sentir. Esse lugar assustador e mágico de estar vulnerável e por isso, deliciosamente humano. Ler, para mim, é estender uma ponte até o peito. Fazer do papel um espelho. O percurso é entregar-se a cada página, a um sentir, a algo sentido. Espero nessa jornada poder dividir um pedaço desse amor e dessa entrega com vocês também.

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