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Pequena Coreografia do Adeus – Aline Bei

Escrito com a prosa original de Aline Bei, “Pequena coreografia do adeus” é um romance emocionante que mostra como nossas relações moldam quem somos.

Julia é filha de pais separados: sua mãe não suporta a ideia de ter sido abandonada pelo marido, enquanto seu pai não suporta a ideia de ter sido casado. Sufocada por uma atmosfera de brigas constantes e falta de afeto, a jovem escritora tenta reconhecer sua individualidade e dar sentido à sua história, tentando se desvencilhar dos traumas familiares. 

Há poesia em cada palavra e uma interpretação de vida extremamente sensível na escrita de Aline Bei. Se vocês ainda não leram, também indico a leitura do primeiro livro da autora “O peso do pássaro morto”. 

A autora tem uma escrita com estrutura pouco habitual. Ao mesclar prosa e poesia, faz com que o texto tenha potência em cada sentença, totalizando um enredo capaz de atravessar a nossa subjetividade quase que de forma imediata. Seja por identificação, por empatia, ou porque toca constantemente nas figuras parentais. 

Temas como infância, maternidade, dinâmica familiar, falta/dificuldade de comunicação, morte, são explorados na obra. Então, não se enganem com uma narradora jovem, a leitura segue sendo pesada e dolorosa, mas extremamente poética.

Se eu pudesse descrever a escritura de Aline Bei em uma palavra seria: Agridoce.  Para a protagonista do livro, o abandono é como um cordão umbilical difícil de cortar. Pouco a pouco, no entanto, ela aprende a respirar o mundo e encontra na palavra escrita uma forma de salvação.

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Hannah Riff
Graduada em direito. Advogada licenciada OAB/PE. Assessora de membro do Ministério Público de Pernambuco. Graduanda em Psicologia pela Faculdade Pernambucana de Saúde. Estagiária do IMIP. Leitora por paixão. Parte dessa foz, o rio da leitura, corre em mim desde cedo. Leio porque entendi que as palavras também nascem da coragem de sentir. Esse lugar assustador e mágico de estar vulnerável e por isso, deliciosamente humano. Ler, para mim, é estender uma ponte até o peito. Fazer do papel um espelho. O percurso é entregar-se a cada página, a um sentir, a algo sentido. Espero nessa jornada poder dividir um pedaço desse amor e dessa entrega com vocês também.

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