Este texto é de responsabilidade exclusiva do(a) autor(a).

O LUGAR – ANNIE ERNAUX

 

Uma das mais importantes escritoras vivas da França, Annie Ernaux, se debruça sobre a vida do próprio pai para esmiuçar relações familiares e de classe, numa mistura entre história pessoal e sociologia. A autora nasceu durante a 2ª Guerra. Faz um levantamento da vida do pai, que chegou à vida adulta no entre-guerras. Descreve uma família do nterior da França que viveu esses anos e os seguintes: do campo para a vida operária e daí para um pequeno negócio.

 

Publicado originalmente em 1983, “O lugar” não inova no ponto de partida, a morte do pai. A partir disso, a autora retoma a vida de um homem que prosperou materialmente, conseguindo finalmente arranjar o seu lugar – sem, no entanto, ascender socialmente, sabendo qual era o seu lugar. “Talvez seu maior orgulho, ou até mesmo o que justificativa a sua existência: que eu fizesse parte de um mundo que o desprezou”.

 

Ao escrever sobre o pai a autora vai percebendo que a diferença é uma palavra chave para entender sua relação com o pai. Os conflitos de gênero, classe e geração são apresentados em pequenos acontecimentos, em conversas do dia a dia e em discussões usuais de família. É um livro que revela muito mais do que a relação pai e filha e que convida os leitores a pensar sobre as grandes mudanças sociais e políticas e como elas se revelam na vida privada.

 

Nem vou entregar muito o ouro, só recomendo que leiam. O livro é curtinho. Uma história universal de pais, filhos, amor e silêncio.

Colunista

Compartilhe nas redes

Hannah Riff

Graduada em direito. Advogada licenciada OAB/PE. Assessora de membro do Ministério Público de Pernambuco. Graduanda em Psicologia pela Faculdade Pernambucana de Saúde. Estagiária do IMIP. Leitora por paixão. Parte dessa foz, o rio da leitura, corre em mim desde cedo. Leio porque entendi que as palavras também nascem da coragem de sentir. Esse lugar assustador e mágico de estar vulnerável e por isso, deliciosamente humano. Ler, para mim, é estender uma ponte até o peito. Fazer do papel um espelho. O percurso é entregar-se a cada página, a um sentir, a algo sentido. Espero nessa jornada poder dividir um pedaço desse amor e dessa entrega com vocês também.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

três × um =